#2 - acolher a chegada de cada novo pé
toda chegada tem tropeço. todo tropeço começa caminho. todo caminho tem alguém já caminhante.
recorte de uma foto de Fernanda Coutinho, dos trabalhos em exposição n’A Pilastra, Guará II - DF. Exposição “meu nome é um caminho”, por diana salu e francisco rio, curadoria de Lua Kixelô Cavalcante.
eu acredito no carinho, no amor e no acolhimento. principalmente num mundo que é o contrário disso pra tantes de nós. principalmente entre nós (mas não só). por isso escrevi (e francisco deu novo corpo, pintando em um dos seus “estandartes são todas células da pele”):
acolher a chegada de cada novo pé
esse poema (em versão de videopoema caseiro aqui), que acabou não entrando no livro “profecia” (Jandaíra, 2024), foi um dos começos da minha brincadeira com francisco rio. e como todo começo bom, era brincadeira de tá junto sem muita pretensão, mas com um tanto de vontade. pra gente ali, no nosso encontro, era já um recomeço. pois afinal todo começo é parte de um caminho que já vem, é só um jeito que a gente decide chamar alguns pontos de virada, de reconhecimento, de encantamento.
videopoema caseiro de janeiro de 2023, “tudo começa pelo pé”. eu, francisco rio e ernesto nunes, dançando com tinta, papel e música na sala do meu antigo apartamento na asa norte, em brasília - DF.
é fácil querer se achar importante, sabide demais, quando se sente que o pé já vinha abrindo vereda desde algum antes. mas tem sempre alguém cujos pés, mona, correro no espinho, sem sapato ou de salto alto, pra gente poder chegar aqui e dar nossos tropeço iniciais. é fácil querer se achar importante e achar que isso significa que se sabe mais e melhor.
às vezes não, geralmente não.
registro de visitante na exposição '
acolher com carinho a chegada de cada novo pé. eu já fui pé bambeando nas passadas. você já foi. alguém te acolheu. alguém te amou. alguém não desistiu de você e nem tentou te diminuir por estar a mais tempo na estrada. papel de novo é: correr e tropeçar; se empolgar descobrindo inventando; achando que viu pela primeira vez o que ninguém mais viu. papel de véi é: olhar e dar risada, saber quando segurar na mão, saber quando deixar cair, saber quando dar um esporro, e nos melhores momentos dar as sugestões e indicações de caminho (e entender também, quando vão ouvir, quando não vão). um papel que não é de ninguém: querer saber o passo, o tamanho e o caminho dus ôtro (mais conhecido como: cagar regra).
modéstia é saber o próprio tamanho
humildade é saber o tamanho do mundo. e de tudo e todes quanto viero antes
foto de Júlia Salustiano, registro bonito de francisco rio e Mestre Zé do Pife durante a abertura da exposição “meu nome é um caminho", dia 16.09.24, n’A Pilastra, Guará II - DF.
tento saber meu tamanho. a cada tantos passos: paro e reavalio. se começo a querer me achar grande demais, é quando preciso parar mais tempo. e se não paro, vixe! aí vem tombo grande. sem ilusão de mérito ou de culpa: um montão de tombo na vida a gente leva e não tem dedo nosso não: é muito terreno acidentado; muito chão escorregadio; e muita rasteira safada. mas tem tombo que a gente é quem faz viu. quinem tentar chutar alto de calça jeans, vai vendo. a perna que foi pro alto é a perna que puxa a outra do chão e tira a base.
pois vamo se acolher minha gente, nossos pé e os dus otre. nossas pegadas e as otra meio apagada onde que tamo pisando por cima.
tu não é maior que ninguém não
tambem não é menor
tu é do seu próprio tamanho
saber ocupar essa medida:
taí a arte de uma vida
registro da oficina Guarnecê - Brincadeira de Mateu,com Mestra Ni de Souza, do grupo Os Mateus de Teatro, do Cariri/CE. parte da programação da exposição “meu nome é um caminho"
uns de bololo coisa, sentimento e caminhada encontraro tamanho nessa escrita. se fez sentido por aí pra você, compartilha que ajuda dimais. se não fez , tudo certo: cada ume sabe do seu passo.
quarta feira é um dia que eu gosto
boa noite e boa quinta
🍃 diana salu





