acolher destruir
o tempo
o pó vermelho subindo a estrada
chão de fogo
suas cinzas contam eras
seremos outres como o ontem
será o espelho do amanhã
e ser só é mesmo fazer-se
como o barro do leito
o voo das araras
habitar guardar
uma ilha
onde se cai
se habita
o que se planta
se guarda
vem mesmo junto raízes no peito
o plexo um osso flutuando
acima da bomba das águas
receber acompanhar
um rio
canoa leve
a pedra quente no centro do rio
a pedra escarpada o caminho
a trajetória do vento sobre água
tornada em listras pintas
uma onça que grunhe dengosa
felina que gosta do nado
do mergulho abraço
de tocar o rio
acolherdestruirotempo
onde as invenções
do que foi não será
do que será não terá sido
do que tiver de ser não seja
era
ou virá
em vento
rodopiam
sedimentam
se montanhaO tempo
Escrevo essa coluna como forma de me manter em contato com a pesquisa acolher destruir o tempo, que tem sido desenvolvida com Francisco Rio e Ernesto Nunes, e também para fomentar outro espaço onde quem se interessa pelo meu trabalho possa me acompanhar, para além de redes sociais cheias de algoritmos tóxicos e estratégias viciantes.
O conteúdo da coluna é gratuito e planejo que continue assim, mas recentemente uma pessoa já manifestou interesse em apoiar meu trabalho por aqui também de forma paga (o que agradeço imenso!). Já são muitos anos trabalhando com arte e cultura e fazendo muita coisa de graça, então começo a pensar na possibilidade de, no futuro, ter conteúdos pagos e abrir as assinaturas
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